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A complexidade de “Doctor Who – Cidade da Morte”

Doctor Who é uma série de ficção científica britânica que está no ar desde 1963. O protagonista desta série é o Doutor, um Senhor do Tempo, nativo do planeta Gallifrey, que tem a capacidade de se regenerar caso sofra um ferimento letal ou se o Doutor quiser se regenerar por outro motivo. Quando se regenera, o Doutor cria uma outra “encarnação”, com novo rosto, corpo e personalidade. Doctor Who, foi e continua sendo um fenômeno da ficção científica, porém, há décadas atrás, não se imaginada que pessoas iriam querer ver reprises da série e nem que esta faria o sucesso que faz até hoje, então a BBC reutilizava as fitas com os episódios de Doctor Who gravados, gravando outras coisas por cima. Muitos episódios continuam perdidos hoje (e fãs, junto com a BBC, procuram pelo mundo todo), e foram feitas reconstruções deles, com o áudio original e imagens dos episódios ou animações. A Suma de Letras tem lançado livros de alguns episódios perdidos (como Shada), assim como de episódios da série clássica e da série atual.

 

Um destes livros lançados pela Suma (o mais recente) é Cidade da Morte (City of Death), o 105º arco da série (a série original é exibida em arcos de episódios), parte da 17ª temporada. Esta história, cujo roteiro original é de Douglas Adams (autor do Guia do Mochileiro das Galáxias), é estrelada pelo 4º Doutor (Tom Baker) e Romana II (Lalla Ward) e, como muita coisa nesta série, Cidade da Morte é uma história bastante complexa.

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4º Doutor (Tom Baker) e Romana II (Lalla Ward)

Vamos falar um pouco do enredo! Fiquem tranqüilo, pois vou me ater à sinopse escrita na orelha do livro, para evitar spoilers.

 

Há muito tempo atrás (mas não em uma galáxia muito, muito distante), a nave dos Jagaroth, uma raça alienígena que tinha como hobbie destruir civilizações, explodiu ao tentar decolar de um planeta, matando quase todos os últimos Jagaroths existentes. Quase todos porque Scaroth acabou sobrevivendo. Porém, esta nave explodiu em uma dobra espacial. Logo mais eu digo porque esta informação é importante.

 

Já em 1979, o Doutor e Romana II almoçavam em um café de Paris quando o tempo dá um “pulo” para trás. O legal nesta edição é que, no momento deste “pulo”, a história se interrompe e temos o equivalente a uma página em branco no livro, dando ao leitor a sensação de que algo foi perdido e deixando-o desnorteado (a mesma sensação que o Doutor e Romana II sentem).

 

Em outro ponto de Paris, o Conde Scarlioni pretende roubar a Monalisa. O Doutor, durante a investigação da ruptura temporal, acaba descobrindo que o Conde tem mais sete Monalisas em sua mansão, todas elas verdadeiras. Com a ajuda de Duggan (um policial meio obtuso que adora esmurrar as pessoas) e Romana II, o Doutor tenta deter o Conde Scarlioni (também responsável pelo “pulo” temporal) e descobre que existem mais onze versões do Conde, espalhadas em diversas partes do tempo, pois, na verdade, o Conde é Scaroth (mas o Conde desconhece que é Scaroth) que, ao explodir com sua nave, teve várias versões de si mesmo espalhados dentro da dobra temporal.

 

Sobre o enredo, eu paro por aqui!

 

Apesar de ser um livro pequeno, Cidade da Morte é um livro que demorei um pouco para ler. Em várias partes, eu precisava voltar algumas páginas para rever um detalhe, ou reler uma cena mais de uma vez. A história, repleta de reviravoltas, pode e provavelmente vai confundir o leitor em alguns trechos, com os acontecimentos ocorrendo em diversas partes da linha temporal, “simultaneamente”. O humor deste livro, bem característico de Douglas Adams, também é sensacional.

 

Doctor Who – Cidade da Morte­ é uma história bem inteligente. Ela envolve todo o brilhantismo característico de Doctor Who, o humor debochado de Douglas Adams. E também é bem interessante ver os capítulos da série sendo passados para livros, fato que faz o fã da série rever ou notar vários detalhes que deixou passar.

 

Ficha técnica:

 

Título: Doctor Who – Cidade da Morte
Título original: City of Death
Autor: Douglas Adams, James Goss
Editora: Suma de Letras
Formato: Brochura
Ano de copyright: 2015
Ano da edição: 2015
Número de páginas: 272
Tradução: Regiane Winarski
ISBN: 978-85-8105-313-4



Raniere Sofia, 33 anos, criador da Encontros Literários, leonino, nascido em Angra dos Reis, morador do Rio de Janeiro, vascaíno, escritor, estudante de Estatística na UERJ, fã de Stephen King, Tolkien, Star Wars, Marvel, C.S. Lewis, Douglas Adams, e Doctor Who (começou a acompanhar a série clássica em 2014). Leitor compulsivo e cinéfilo.