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Aqui dentro e lá fora

“Quando um batedor de carteiras encontra um santo, tudo o que ele vê são os bolsos” – prega o ditado indiano presente no início do livro Foco, de Daniel Goleman – Editora Objetiva, 2014 – que nos dá uma pista de a que seremos apresentados em seu texto.

Existe uma discussão no meio acadêmico a respeito da atenção e suas repercussões na vida humana, o quanto ela é necessária para se atingir a excelência, por exemplo, e mais recentemente o quanto é uma ferramenta imprescindível em diferentes operações mentais, essa lista é tão extensa que passa pela nossa capacidade de ter interações e relacionamentos interpessoais harmoniosos, à capacidade de autocompreensão e auto-gerenciamento, incluindo a capacidade mnemônica, de compreensão e aprendizagem.

Daniel Goleman (7 de março de 1946) é um psicólogo dos Estados Unidos. Escritor de renome internacional, psicólogo, jornalista da ciência e consultante incorporado. Ele é filho de um casal de professores universitários de Stockton, Califórnia, onde o seu pai ensinava literatura mundial no San Joaquin Delta College, enquanto sua mãe ensinava no departamento social, que é agora a University of the Pacific. Goleman recebeu o seu doutoramento em Harvard, onde também dava aulas. (Wikipedia)

O argumento de Goleman, é que apesar dessa gama de funções importantes e impactantes em nossa existência, a atenção ainda é pouco estimada e quase nada desenvolvida. Para ele, a atenção é peça fundamental para uma vida satisfatória, e totalmente atrelada a Inteligência Emocional (conceito já presente nos textos de Charles Darwin que apontou a importância dela para a sobrevivência e adaptação da espécie, pontuado por Thorndike, que ratifica a necessidade da capacidade social e emocional para a motivação dos outros, impulsionado por Howard Gardner quando expande o conceito de inteligência para além das já conhecidas aptidões lógico-matematicas, que acentuam a cognição e memória e finalmente pelo livro do próprio Daniel Goleman, quando ainda era redator da área de ciências para o jornal New York Times na década de 1990).

Em seu livro, com o instinto jornalístico de outrora aliado a suas competências de psicólogo, ele faz a interessante ponte que leva o conhecimento científico para a população leiga; trazendo os conceitos da neurociência, dos estudos sobre o funcionamento do cérebro, das pesquisas de psicologia social aplicada, das informações sobre inteligência artificial, das evoluções na área de Tecnologia e Softwares e os impactos sociais, físicos e psicológicos da Era Tecnológica ou da Informação, na qual estamos vivendo.

Goleman pondera que nosso Zeitgest (conjunto do clima intelectual e cultural dominante em determinado período no mundo) não favorece o fomento das habilidades fundamentais para a atenção, o foco, a autoconsciência, a concentração ou atenção seletiva, e que isso pode trazer consequências desastrosas para as vidas individuais, e consequentemente para a sociedade como um todo. Seu receio e sua pretensão quando lança esse livro fica evidente na frase de abertura de seu livro: “Para o bem-estar das futuras gerações”.

Considerei um livro bem construído, ele tem a proposta de manual, com seus capítulos organizados de uma maneira sistemática, construindo um conhecimento que inicia com o esclarecimento do que ele chamou de “Anatomia da Atenção”, mostrando as mudanças vivenciadas nas mais recentes gerações humanas, do quanto antigamente à quantidade de informações e, principalmente, a capacidade de permanecer em ambientes silenciosos ajudava a manter a concentração por mais tempo, o que acabava resultando em um comportamento de entrega muito maior do que vemos atualmente. Fala sobre a motivação, a capacidade de se focar nos aspectos realmente importantes – e do quanto nosso cérebro responde de maneira diferente a isso, como por exemplo, da harmonia neural, em que os circuitos necessários estão ativos e os irrelevantes inativos, ajudando a manter a motivação, o foco e o estado de entrega ou quando, por outro lado, estamos focamos nos problemas e não no trabalho em si, e então sobrecarregamos nosso corpo com cortisol e adrenalina impulsionados pelo stress, que ao invés de trazer o sentimento de entrega e concentração positivos, pode nos exaurir emocionalmente nos levando ao esgotamento. Em ambos os casos, existe atenção seletiva, porém no lugar errado. Aproveita esse gancho para falar sobre que manter a mente em devaneio, tem sim seus benefícios, o que é diferente em distrair sua atenção enquanto executa uma atividade.

Foco, de Daniel Goleman – Editora Objetiva, 2014.

Em seguida fala sobre a capacidade de ter autoconsciência, do quanto esse processo é essencial para nossa realização pessoal, dos importantes fluxos de autoconsciência – os pensamentos que criam nossas projeções para o futuro e revivem os acontecimentos passados e a percepção do momento presente, do concreto, do aqui e agora. O quanto é essencial fazer uma leitura adequada do ambiente externo e das pessoas que estão ao nosso redor, capacidade fundamental para viver em sociedade de maneira harmoniosa e produtiva.

E finalmente ele traz orientações concretas e demonstra como estratégias de meditação guiada ou não, de respiração, auto questionamento, empatia, atenção real e plena ao que o outro diz e quer, sobre o que fazer para manter essa qualidade de atenção, autoconsciência e até mesmo como influenciar e liderar pessoas a partir de uma visão sistêmica baseada no bem estar geral para os indivíduos, os grupos e até mesmo as nações.

 

Ficha técnica:

Título: Foco.
Subtítulo: A atenção e seu papel fundamental para o sucesso.
Título original: FOCUS
Autor: Daniel Goleman
Editora: Objetiva
Capa: Brochura
Edição:
Ano: 2014
Número de páginas: 294
Tradução: Cássia Zanon
ISBN: 978-85-390-0535-2



Daniele Modesto é psicóloga clínica, consultora na area de gente e gestão, entusiasta da area de negócios e do mundo corporativo. Leitora voraz, incapaz de passar mais do que um par de dias sem um livro na mão.