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Fyodor Dostoyevsky, 1876

As Noites Brancas de Dostoiévski

Noites Brancas — ao contrário de outros livros de Dostoiévski, que tendem mais à crítica social — é a obra do autor russo, que mais se aproxima do romantismo. O protagonista desse livro é o “Sonhador”, como ele mesmo se chama logo no início do livro, e o acompanhamos durante quatro noites na capital de São Petersburgo.

Quatro “noites brancas”. Noite Branca faz referência a um fenômeno onde o sol, mesmo se pondo, permanece abaixo da linha do horizonte, fazendo com que a noite permaneça clara.

O protagonista é um jovem solitário, porém romântico. Um jovem que ao mesmo tempo em que não mantém relações com ninguém se São Petersburgo, conhece todo mundo de lá, uma vez que reconhece fisionomias na rua e sente carinho por elas, e mesmo as casas lhe são benquistas, pois são suas amigas. Seu idealismo e sua melancolia nos acompanham durante todo o livro, e reconhecemos logo aquele “quê” existencialista que irá marcar a obra de Dostoiévski para todo o sempre.

Entretanto, tudo muda na rotina do Sonhador quando este encontra com Nastenka (em outras edições Nástienka ou Nástienhka), e todos seus pensamentos românticos e idealistas, antes voltados para o vazio que lhe consumia, voltam-se para ela, e somente ela. Em pouco tempo de conversa, ambos os personagens se arriscam a entrar nessa aventura romântica de conhecer um ao outro e compartilhar suas tristezas e alegrias, e durante as quatro noites que se seguem o livro, conhecemos a história do Sonhador, o drama de Nastenka, assim como as dores e os sofrimentos de ambos.

A história segue seu curso com ambos conhecendo um ao outro — ao mesmo tempo em que passamos a conhecê-los — até que o destino vem.

Noites Brancas é um livro poético, lúdico, romântico… sonhador. É um livro sobre os sentimentos humanos, sobre a frivolidade da vida, um livro onde o cenário ganha vida, onde as casas, o clima e as ruas ganham vozes.

Considerações finais…

O livro possui (alguns) pontos altos, mas na mesma medida em que possui pontos bem baixos. É um livro interessante para se ler numa sentada, mas confesso que esperava bem mais do autor. Não é de lá longe o melhor livro que já li na vida, mas pretendo dar outras chances a esse autor russo. O primeiro que li dele foi Notas do Subsolo, mas deixei a leitura incompleta por conta da péssima edição que tinha em mãos — mas em breve retomarei a leitura, com a edição de Editora 34, traduzida direto do russo.

A edição que li de Noites Brancas, entretanto, não poderia ser pior, também. É uma edição bem antiga, daquelas publicadas em revistas que nem são mais publicadas hoje em dia. Um livro de capa vermelha e páginas já muito amareladas. Realmente só o li, pois estava com uma grande curiosidade sobre esse peculiar título Noites Brancas. Um título instigante e imaginativo, diga-se de passagem.

Mas tenho que ressaltar um ponto a favor de Dostoiévski: Uma vez li em algum lugar que “os russos sabem falar de sofrimento”. Com isso tenho que concordar.

Ficha Técnica:

Título: Noites Brancas
Título original: Белые ночи
Autor: Fiódor Dostoiévski
Tradutor: Carlos Loures
Edição:

Editora:
América do Sul Ltda
Ano: 1988
Páginas: 93



Graduando em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC); Fã de Stephen King e Oscar Wilde, mantenho ainda vivo o sonho de escrever profissionalmente; Amante de cinema, séries, quadrinhos e músicas. Descobri na arte uma forma de suportar a vida.