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Conspirações e traições em O Preço do Sangue

Quando vi a capa de O Preço do Sangue, primeiro livro da série Aliados & Assassinos, de Justin Somper (autor da série Vampiratas), pensei “olha só, lembra Assassin’s Creed”, e isso me atraiu. Vi um comentário na contracapa do livro feito por VOYA (não sei quem ou o que é), dizendo “Muita intriga política… Comparado a Game of Thrones” e pensei “uau, intrigas políticas, batalhas épicas… amo isso!”. Então comecei a ler este livro e vi que, mesmo com os altos e baixos que este livro tem, a leitura é bastante divertida.

 

No principado (estado independente onde o governante recebe o título de príncipe ou princesa) de Archenfield, Jared, o herdeiro do trono, recebe a notícia de que seu irmão mais velho, Príncipe de Toda Archenfield, foi assassinado. Sabe-se, de antemão, que a conspiração veio de dentro do governo de Archenfield, e também é conhecido o fato de que não existe apenas uma conspiração. As decisões do governo são debatidas entre o Príncipe de Toda Archenfield e o Conselho dos Doze, onde cada membro recebe um nome como Poeta, Caçador, Carrasco, etc., cada título seguido de uma função específica. É função deles descobrir quem é o assassino, quais foram suas motivações e aplicar o “preço do sangue” (leia-se “pena de morte”). Achei que, para um livro teen, o sistema de governo de Archenfield ficou muito bom, pois ele é simples e bem construído.

 

No decorrer do livro, Justin Somper escreveu cenas muito boas e, inclusive, teve uma em especial que eu achei bonita, apesar de ser trágica. Porém, há uma cena, um diálogo e uma peculiaridade que são bem forçadas. A peculiaridade é o sistema horário de Archenfield, determinado por sinos com os nomes de cada membro do conselho dos Doze, além do sucessor e do Príncipe, cada sino com um significado (que é explicado no final do livro). E como se tentassem dar um significado especial para cada hora do nosso relógio. Achei desnecessário, mas isso não interfere em nada na história.

 

Sobre a cena…. eu pensei muito se dava ou não o alerta de spoiler e dizia como ela é, mas optei por não fazer isso, e vou dizer o porquê: esta cena é tão ruim que, se eu a escrevesse aqui, influenciaria você, que está lendo este texto, a não ler esta história. Isso acabaria passando uma imagem que eu não quero, apesar de ter odiado tal cena (que se encontra um pouco depois do início do livro), há outras que fazem, sim, a leitura valer a pena. Minha impressão foi que Somper quis criar uma cena de suspense, que deixasse o leitor tenso, mas ele fracassou nisso. Há um diálogo no fim do livro que também achei desnecessário, mas podemos passar direto por ele, pois não tem nenhuma relevância.

 

Os personagens de O Preço do Sangue e a maioria dos diálogos (com exceção do citado no parágrafo anterior) são pontos altos do livro. Eles são bem construídos, carismáticos e… humanos é a palavra certa! Cada personagem tem suas fraquezas e qualidades, cometem erros e acertos, e cada sentimento e pensamento são bem vívidos. Eles conseguem envolver o leitor, e os diálogos seguem uma linha bastante coerente e fluem com naturalidade (salvo a exceção).

 

O Preço do Sangue é um livro escrito para jovens leitores e é bastante divertido, porém não espere algo complexo como Game of Thrones ou uma obra do calibre de Harry Potter ou Percy Jackson. Prefiro me referir a este livro como um filme de sessão da tarde que me diverte bastante, que se eu estiver à toa e vê-lo passando, talvez o assista de novo, mas que não colocarei no patamar dos meus filmes favoritos.

 

FICHA TÉCNICA:

Título: O Preço do Sangue
Título original: Allies and Assassins
Série: Aliados & Assassinos #1
Autor: Justin Somper
Editora: Galera Record
Formato: Brochura
Edição: 1
Ano de copyright: 2013
Ano da edição traduzida: 2016
Número de páginas: 378
Tradução: Rita Sussekind
ISBN: 978-85-01-10584-4



Raniere Sofia, 33 anos, criador da Encontros Literários, leonino, nascido em Angra dos Reis, morador do Rio de Janeiro, vascaíno, escritor, estudante de Estatística na UERJ, fã de Stephen King, Tolkien, Star Wars, Marvel, C.S. Lewis, Douglas Adams, e Doctor Who (começou a acompanhar a série clássica em 2014). Leitor compulsivo e cinéfilo.