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eu mereço ser a única anna cms chiado

As ambiguidades de sentimentos causadas pelos personagens de Anna CMS

Eu vou confessar uma coisa: tenho implicância com algumas editoras. Implicância mesmo, do tipo: “fia, que qui cê tá fazenu na Feira de Frankfurt se estapeando por bestseller britânico, se tá cheio de autor novo no seu país aguardando uma chance??”.

Sempre achei ridículo a necessidade de se manter em uma suposta “zona segura” de publicação de livros. Para muitas editoras, é mais jogo se mandar para a Alemanha, pagar caríssimo por direitos autorais de livro gringo em uma feira de livro, pagar tradutor, pagar isso, pagar aquilo, do que simplesmente prestar atenção nos maravilhosos autores ao seu redor!

Sério, gente, dá uma olhada no Wattpad. A quantidade de autor indie muito legal que tem lá não está no gibi! Mas, nãããããão, vamos trazer literatura gringa e depois dizer que o brasileiro não escreve!!

Ok, momento desabafo à parte, existem editoras que tentam mudar um pouco isso. Deixando de lado o fato de que muitas delas cobram ao autor a publicação (afinal, ao menos elas publicam, de um jeito ou de outro!), tenho visto selos, editoras, concursos, enfim, diversas iniciativas de incentivo aos novos autores nacionais, e nada me deixa mais feliz do que ver um autor brasileiro realizar o sonho de ter em mãos seu livro físico.

Anna CMS, autora do livro resenhado nesse post, é uma autora indie (mesmo publicada pela editora Chiado, eu acho que nenhum autor deveria se esquecer de onde veio, por isso, para mim, ela sempre será uma autora indie, com orgulho!) que realizou seu sonho. Eu vi no Facebook da autora a divulgação do lançamento do livro dela com a hashtag #SonhosdeInfânciaSeRealizam. Cara, olha que hashtag mais linda!! Chega aqueceu meu coraçãozinho de cupuaçu!

Assim que o livro de Anna chegou na minha casa, eu olhei a edição, olhei a gramatura das páginas, a flexibilidade da capa, o brilho, olhei tudo. E só pensei: “caramba, imagina a cara da Anna quando fez o mesmo que eu!”. A edição é muito bonita, muito confortável de ler, as páginas abrem sem você precisar fazer esforço ou arreganhar a lombada.

 

eu mereço ser a única anna cms

 

Eu não gosteeeeeeeeii muuuuuito da capa, mas, como vocês vão perceber em breve, meus gostos mudam como o clima em Brasília: uma hora eu penso “uhuull, hot, amei!” e em outras eu já estou “hmm… frio… estranho…”. Pode ser que, daqui a alguns meses, eu ache a capa maravilhosa!

Enfim, depois de analisar o livro, fui olhar os outros detalhes da edição (ler que é bom, nada, né, Clara, sua pentelha?). Como sou revisora, eu sempre olho quem foi o colega responsável pela revisão do livro que vou ler. Qual não foi minha surpresa quando vi que foi a própria Anna quem revisou? Poxa, Chiado, custava pagar um revisor profissional? Revisar os próprios livros sempre é furada, cara…!

Mas, apesar de não acreditar que um autor deva revisar o próprio livro, admito que Anna fez um bom trabalho, viu? Sério, salvo umas vírgulas no lugar errado (que provavelmente só colegas de profissão vão notar), o texto tá muito tchutchuquinho!

Ok, chega de enrolação, vamos à sinopse:

Devan Flynt e Viviene Charpentier estavam, absolutamente, apaixonados. Trocavam juras sinceras de um amor, que sem dúvida, seria para sempre. Porém, ele terminou tudo com ela por telefone, sem dar qualquer explicação, desmanchando o noivado e cortando-a repentinamente de sua vida, para casar-se um mês depois com Savannah Melbrooke.

Devan era um dos herdeiros de um grupo de empresas, sua paixão, no entanto, era a arquitetura, e aos trinta anos, construiu um casamento sólido, com sua amiga de infância, enquanto aguardava a chegada do bebê.

Viv, uma jovem jornalista, que encontrou amparo e consolo na depressão, entre suas fiéis amigas, mas jamais conseguiu reerguer-se totalmente. Sete meses depois é chegado o momento de reunir forças e enfrentar Devan, a fim de cobrar uma explicação e deixá-lo saber do estrago feito em sua vida; antes de enterrar de vez essa história em seu passado, e dar uma chance ao jovem Collin Andrews.

 

Antes de mais nada, preciso dizer que a história me prendeu logo no comecinho, quando Viv tenta superar o abandono de seu ex-noivo, mas não consegue. Eu fiquei até meio aflita, pois me senti tão obcecada pelo Devan quanto Viv ficou.

Devan não me convenceu como mocinho. Achei ele meio dramático, meio “mé”… Não sei, algo nele não me deixou suspirando ou torcendo por ele. Acho que torci mais pelo Collin Andrews do que por Dev, talvez por ver o estado em que o mocinho deixou a protagonista.

Já Viv, nossa, que mulher. Apesar de em frangalhos, arrasada, com o coração partido, ela tenta lutar contra a depressão, ainda que sem obter muitos resultados, e continua trabalhando, vivendo… Bom, tentando viver, né? Ver seu ex-noivo aparentemente feliz em um casamento, beijando a esposa grávida e tudo mais não deve ser exatamente algo agradável de se ver.

Quando Viv meio que decide que vai derrubar a muralha que ergueu contra o mundo, dando chances para outras pessoas, como o já citado Collins (homem muito paciente, que não fica com raiva quando, durante uma noite de sexo, ela o chama de “Devan”), o raio do Dev volta para tentar explicar o que aconteceu.

(Argh, moço, vai embora, se pirulita! Ok, vai, vamos ouvir o que ele tem a dizer…)

Confesso: eu, que não gostei muito do Devan, me peguei pensando “uau, que incrível o que ele fez!”. Mas foi um sentimento ambíguo: por mais que a atitude dele perante um momento de necessidade (que obviamente não vou descrever, para não dar spoilers) tenha sido louvável, creio que ele foi muito, mas muito egoísta ao terminar com Viv por telefone. Por isso, não serei nunca #TeamDev. Existem meios e meios de se terminar um relacionamento, mas, dentre os piores, podemos sem dúvida citar “por telefone/e-mail/Facebook/etc.” ou “no dia do seu aniversário” (alerta de experiência pessoal!).

Ok, entendo seus motivos, Devan. Agora, a questão toda é saber se eles são fortes o suficientes para que Viv o perdoe. Eu, particularmente, não perdoaria, levantaria meus dedos do meio para o ar e sairia dançando “Irreplaceable“, da Beyoncé.

 

Beyonce

 

Uma das coisas que eu mais gostei no livro foi saber que ele foi inspirado na música “You Oughta Know“, da Alanis Morissete. Adooooro essas coisas, de músicas que se encaixam em livros (ou livros que se encaixam em músicas) de algum modo! E, o melhor: depois que soube disso, vi várias cenas de Eu Mereço Ser a Única na letra da música, como quando Alanis pergunta se a nova companheira de seu ex faz as loucuras que ela fazia, como sexo oral num teatro. NÃO VOU MENTIR, ADORO!

Eu mereço ser a única” é um livro muito agradável, leve, apesar do tema relativamente pesado, envolvente, apesar das atitudes de alguns personagens, e que me deixou cheia de sentimentos ambíguos: odeio o Devan, mas quero ele bem, odeio o Collin, mas quero ele com a Viv, quero abraçar a Viv, mas também quero sacudir ela e dizer “MIGA, TOMA JEITO!” ouvindo “Snap Out of It“, do Arctic Monkeys.

Eu espero que a autora publique logo os outros livros da série. “Eu Mereço Ser a Única” é delicioso para se ler e reler, principalmente ao som de Alanão, aquela linda que parece a Vani.

Ah, vai. Só eu acho a Alanis parecida com a Fernanda Torres? Só eu? Alguém? Buller? Buller?

Alanão e Fernandão

 

Ficha técnica:

Título: Eu Mereço Ser a Única
Série: A Cidade Que Nunca Dorme, livro 1
Autor: Anna CMS
Editora: Chiado
Formato: Brochura
Edição: 1
Ano de copyright: 2016
Número de páginas: 175
ISBN: 978-989-51-6809-5

Perfil da autora no Facebook: https://www.facebook.com/annajoycms/

Disponível em diversas livrarias, incluindo a Travessa e a Cultura.

 

 



Revisora, autora, embaixadora do Wattpad, professora de português, Kindle-lover, apaixonada por livros indies, autores nacionais, Kimbra, 30STM, Brandon Jay McLaren e RuPaul's Drag Race. Escrevia sob o pseudônimo de Sissy Walker, mas decidiu sair do armário e assumir a autoria de seu primeiro romance, "Lena - Abrindo as Asas".