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A Longa e Sombria Hora do Chá da Alma é deliciosamente aleatória!

Antes de falarmos deste livro, vamos analisar seu nome: A Longa e Sombria Hora do Chá da Alma. De cara, podemos dizer que Douglas Adams não se importou nem um pouco com o número de caracteres nesse título (que, no original, é The Long Dark Tea-Time of the Soul), mas para quem está acostumado com as excentricidades de Douglas Adams isso é ok. Sabemos que o livro é da série do detetive holístico Dirk Gently e, caso você tenha lido o primeiro livro Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently (resenha AQUI), saberá que uma investigação holística é baseada em fatos totalmente aleatórios, normalmente que não tem nada a ver com o caso em si, e que isso serve de desculpa para Dirk não faça nada e peça para seus clientes pagarem qualquer coisa que ele queira. E, sobre o título (que eu já abandonei o tema, caso não tenha percebido), melhor eu não falar nada sobre ele, a não ser que você goste dos piores spoilers possíveis.

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Pois bem, acho que a palavra “holístico” se encaixa perfeitamente a este segundo livro da série Dirk Gently, pois Adams pegou muitas coisas aleatórias e misturou-as nesta seqüência. O resultado ficou, como não poderia deixar de ser, sensacional! Sobre a trama, vou contar apenas uma pontinha (o máximo que eu posso dizer): uma moça que pensa em pinguins quando está estressada encontra um homem estranho no aeroporto, que queria embarcar sem cartão de embarque, e então, sem motivo algum, o lugar explode.

 

Sim, esse é o pontapé inicial e o possível ponto central da história: algo aleatório, sem sentido e que, ao estilo de Adams, fascina o leitor. A Longa e Sombria Hora do Chá da Alma, que mesmo sendo um livro cômico tem um enredo mais sombrio do que seu livro antecessor, envolve temas como: deuses nórdicos, explosões, chá, uma geladeira inútil, todas as pedras da Inglaterra e uma águia enfurecida e provavelmente mais 42 coisas.

 

O tema mitologia (seja mitologia nórdica, cristã, grega, etc.) sempre esteve presente nos livros de Douglas Adams. Vide os fiéis que estavam esperando seu messias no Restaurante do Fim do Universo (e sendo chacota de todos no restaurante) e Thor sendo perseguido pelas nuvenzinhas amorosas na Trilogia de Cinco do Guia do Mochileiro das Galáxias. Apesar do autor sempre ter debochado de religiões em seus livros, ele fez uma análise muito sucinta da importância delas na sociedade, em uma palestra improvisada que foi intitulada como Existe um Deus Artificial? (leia AQUI) Essa palestra se encontra transcrita no livro Salmão da Dúvida (resenha AQUI). Porém, não é só de religião que esse louco por tecnologia e ficção científica fazia chacota; ele debochava de tudo, principalmente se fosse britânico.

 

Caso você vá ler A Longa e sombria Hora do Chá da Alma ou qualquer livro de Douglas Adams (espero que você leia, de verdade), prepare-se não apenas para rir, mas também para ver muitos conceitos da sociedade (familiares e talvez enraizados nas suas crenças) serem alvos de piadas e chacotas. Porém, vale ressaltar que todo deboche de Douglas Adams vem unido de uma crítica sutil e ácida aos nosso valores.

FICHA TÉCNICA:

Título: A Longa e Sombria Hora do chá da alma
Título original: The Long Dark Tea-Timeof the Soul
Autor: Douglas Adams
Editora: Arqueiro
Formato: Brochura
Ano de copyright: 1988
Ano da edição traduzida: 2016
Número de páginas: 224
Edição: 1
Tradução: Fabiano Morais
ISBN: 978-85-8041-559-9



Raniere Sofia, 33 anos, criador da Encontros Literários, leonino, nascido em Angra dos Reis, morador do Rio de Janeiro, vascaíno, escritor, estudante de Estatística na UERJ, fã de Stephen King, Tolkien, Star Wars, Marvel, C.S. Lewis, Douglas Adams, e Doctor Who (começou a acompanhar a série clássica em 2014). Leitor compulsivo e cinéfilo.