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a mediadora

“Lembrança” é uma nostalgia imensa pros fãs de A Mediadora

A Mediadora fez parte da minha adolescência e imagino que também da de muitas outras pessoas, então quando a Meg divulgou que estava planejando escrever um novo livro pra série, foi uma mistura de sentimentos. Fiquei empolgada, of course, embalada na nostalgia, mas por outro lado tinha o medo batendo na porta. Será que ia ficar bom? Será que depois de 15 anos *motivo pela decisão de um sétimo volume, em comemoração* a Meg conseguiria apresentar o Jesse e a Suzannah do jeitinho que nós conhecíamos?

Shame on me duvidar da escrita dessa mulher diva!

Para nos situar na vida de Suzannah, 6 anos depois de Crepúsculo, sexto volume da serie, a autora lançou um conto chamado O Pedido. Nele, Suzannah está intermediando um PMNO (Pessoa Morta Não Obediente), o que lhe rende uma boa dor de cabeça, e no decorrer Jesse a pede em casamento.

Em Lembrança, Suzannah trabalha em sua antiga escola por recomendação do Padre Dominic, exercendo seu papel de mediadora sempre que possível, e indo a consultas com a terapeuta. Seu noivo, Jesse, é um ex-fantasma que assombrava a casa onde faleceu, que por acaso era a de Suzannah. Com sua ajuda (e muito amor), a alma e o corpo de Jesse enfim se reuniram e ele voltou à vida. Jesse não é desesperado pra aproveitar todo o tempo que perdeu; ele é cavalheiro e extremamente responsável, fazendo residência em pediatria num hospital. Jesse acredita que deve muito à Suze e sua família, e por isso insiste que eles só farão sexo após o casamento, o que não deixa Suzannah nem um tiquinho feliz. Do jeito teimoso e brincalhão dela, Suzannah o provoca, mas não tem jeito; Jesse é antiquado e a respeita demais para isso. A maioria das cenas envolvendo Jesse e suas cismas com a tecnologia são engraçadas; ele odeia celulares, e chama coisas que são óbvias pra gente por nomes bem estranhos, como luz sem fio, vulgo lanterna.

Um dia, Suzannah recebe uma ligação que a deixa maluca. É Paul, seu ex-namorado pé no saco, estupidamente rico, avisando que irão demolir a casa onde Suzannah morava. Paul também é mediador e enche a cabeça de Suzannah a respeito de uma maldição. Jesse fora assassinado lá, seu espírito ainda pertencia ao lugar, e se a casa viesse abaixo, a maldade dentro dele seria liberada.

– Está entendendo o que quero dizer, Simon? Você pode tirar o garoto da escuridão, mas não pode tirar a escuridão do garoto.

Suzannah não acredita nem por um segundo na baboseira de Paul, ainda mais quando sua única condição para cancelar a destruição é ela sair com ele mais uma vez. Se isso acontecesse, aí sim eles veriam o monstro dentro de Jesse voando no pescoço de Paul. Mas a hipótese de realmente existir uma maldição permanece rondando na cabeça de Suzannah, e algumas pesquisas confirmam seu maior temor.

Ela não tem muito tempo pra pensar no dilema quando uma menina sangrando entra na sala do colégio. Suzannah se assusta, achando que é mais um PMNO, mas a menina estava vivinha da silva e continuava pingando. No pulso de Becca, a menina, está desenhado em cortes a palavra IDIO, remetendo a idiota. Ela corre pra acudi-la, e repara numa criança de olhar mortal agarrada à menina. A criança, chamada Lúcia, acha que Suzannah está tentando machucá-la e provoca um tremor na sala a fim de afastá-la. Depois do que pareceu ser um terremoto, a criança some e Suzannah tenta abordar Becca para descobrir o motivo de aquela PMNO assombrá-la. No fim, Lúcia vai se mostrar um caso mais difícil de enfrentar do que Suzannah imaginava. Lúcia é uma criança com medo e não compreende as intenções de Suzannah, atacando-a por diversas vezes.

Em meio a investigações sobre o passado de Lúcia e sua relação com Becca, Suzannah ainda tem de lidar com Paul e sua insistência, e os olhares duros de Jesse, que a levam a temer que no fim das contas Paul esteja certo.

Lembrança é um volume válido para recordar e matar saudades dos personagens, porque o sexto volume teve um desfecho perfeito. Lembrança também tem, isso deixo claro, sem questões abertas ou indícios de uma continuação. Não sei se é porque li numa fase diferente da vida, mas não me apeguei tanto à história quanto antes. Na realidade, um livro que eu devoraria, demorei quase uma semana para finalizar. Achei algumas partes enroladas, com explicações demasiadas, algumas falas intituladas como a famosa encheção de lingüiça.

Honestamente, não lembro se a Suzannah já era assim, mas a achei bem egocêntrica e teimosa ao extremo. Ela é uma mulher cheia de atitudes e também de palavras, extrovertida e de língua afiada. O Jesse se tornou super-protetor, mas é compreensível, visto que ele veio de um século diferente, então ele tem realmente a mente antiquada e levaria mais alguns anos para ele mudar sua forma de pensar. Um detalhe bobo, mas que os fãs reparam, é que ele parou de chamar a Suzannah de mi hermosa pra chamar de mi amada.

Paul é um cara carente de atenção, cheguei a sentir dó dele *ou não*. Ele é convencido, tão egocêntrico quanto Suzannah, e adora usar conotações sexuais / o que, graças a deus, a Meg preferiu não abordar como um abuso sexual, porque esse não é o ponto, mas se ela escolhesse desenvolver o assunto, o livro teria umas oitocentas páginas.

A polêmica envolvendo a Lúcia e a Becca também renderia assunto, tanto que vi algumas pessoas reclamando pela falta de profundidade. Bom, povo, é o que eu disse: esse não é o foco. Ela quis inventar algo pesado e tratar isso de maneira leve. Deu certo, no meu ponto de vista. Ficou tudo subentendido, e eu amei a relação que ela criou com essas duas novas personagens. Acho que fez a própria personagem crescer e abrir o coração.

Mas sem dúvidas, quem ganha o maior destaque nessa história são as trigêmeas filhas do meio-irmão de Suzannah, Brad. Que pentelhas mais amorzinho elas são! Suzannah deu um apelido especial para cada uma delas: Flocos, Flux e Rabo de Algodão. Elas são elétricas, espertas, e uma graça. Quero sim um spin-off dessas três pestinhas com cara de anjo!

Temos participação também de personagens importantes que apareceram nos volumes anteriores como os dois outros meio-irmãos de Suzannah, Jake e David; as duas melhores amigas de Suzannah, Gina e Cee Cee; a Debbie, esposa de Brad, e Kelly, melhor amiga dela; Jack, irmão de Paul e mediador, e claro, o Padre Dominic!

Eu tinha esquecido como a escrita da Meg é divertida! Foi uma leitura um pouco arrastada, sim, mas super empolgante e de matar a saudade de qualquer fã dessa série maravilhosa. Muito obrigada, Meg, pelo presente! O Jesse e a Suzannah sempre ficarão marcados no nosso coração. Só falta um fantasma a la Jesse no meu quarto. SQN! HAHAHAH

 

FICHA TÉCNICA:

Título: Lembrança
Título original: Remembrance
Série: A Mediadora – #7
Autora: Meg Cabot
Editora: Galera Record
Formato: Brochura
Edição: 1
Ano de copyright: 2016
Ano da edição traduzida: 2016
Número de páginas: 400
Tradução: Camila Mello
ISBN: 9788501071569

 



Carolina Rodrigues, 20 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo ou ouvindo música.