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Meio Rei é tudo o que um fã de fantasia épica pode querer

Após ter lido a trilogia A Primeira Lei, do autor Joe Abercrombie, é impossível não criar uma boa expectativa em cima de seus próximos livros. Quando vi que a Editora Arqueiro iria lançar Meio Rei, primeiro livro da trilogia Mar Despedaçado, eu surtei! Pensei: “Oba! Mais uma fantasia épica violenta e sem herói definido! Quero!” Eu juro que o que direi em seguida não é uma reclamação, mas minhas expectativas não foram totalmente atendidas, apesar de eu ter amado este livro. Vocês vão entender o porquê mais adiante.

 

Vamos, sem soltar spoiler (atendo-se apenas à sinopse), falar sobre o enredo de Meio Rei. Este livro conta a história de Yarvi, o filho caçula do rei Uthrik que nasceu com uma mão deformada e, por conta disso, sempre foi considerado fraco. Yarvi resolve ser ministro e, quando está perto de fazer o teste ministerial, recebe a notícia que seu pai e irmão foram mortos. Yarvi se torna rei, mesmo se sentindo incapaz de governar, pois um rei deve ser guerreiro, e um guerreiro precisa das duas mãos. Sua insegurança dura pouco, pois seu trono é usurpado. Vocês podem pensar “Que clichê! O novo rei que não se sente capaz de ser rei perde o trono e precisa recuperar seu lugar de direito”.Bom, eu também pensava assim, mas, após ler o texto A demonização do clichê: definindo nossa literatura pela ausência (leia AQUI), da nossa colunista Clara Taveira, mudei minha forma de pensar sobre isso. E também estamos falando de Joe Abercrombie! Não esperem uma típica fantasia épica com heróis dignos e vilões malvados!

 

Ao ler a crítica de Rick Riordan (autor da série Percy Jackson e os Olimpianos) na contracapa de Meio Rei, onde ele diz que “Assim como todas as obras de Joe Abercrombie, aqui a linha entre o bem e o mal é tênue (…)”, eu esperava que, assim como na trilogia A Primeira Lei, nenhum personagem poderia ser considerado herói. Porém, é possível que em Meio Rei o protagonista Yarvi ganhe esse título. Não que ele seja aquele herói virtuoso, digno e invencível. Ao contrário, Yarvi é um péssimo lutador, sofreu preconceito a vida toda por ter uma mão com apenas dois dedos, o que não fez bem para sua auto-estima e algumas decisões que Yarvi toma não são muito dignas. Quando estava aprendendo a ser ministro, Yarvi recebeu a instrução de sempre calcular o menor mal e o maior bem como consequência de suas ações. E quase sempre Yarvi segue esta regra. Mas mesmo assim, a linha entre o bem e o mal é, sim, bem definida, e digo isso em relação a todos os personagens. Quando Yarvi toma uma decisão que ele sabe que haverá consequências e que pessoas  podem e provavelmente vão morrer por causa de suas escolhas, ele calcula se os benefícios valerão a pena (pelo menos na maioria das vezes) e, após seus planos serem executados, Yarvi fará o melhor para reparar os danos. Resumindo: Rick Riordan fez eu criar uma expectativa que foi frustrada. A culpa foi do pai do Percy Jackson!

 

Leitores de As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin (série de livros que deu origem a Game of Thrones) com certeza irão amar este livro (aliás, Joe Abercrombie é melhor do que George R.R. Martin, na minha opinião). Os personagens criados por Abercrombie são excelentes, a trama é muito bem construída e as cenas de luta são bem detalhadas (e muito violentas). Fãs de fantasia épica devem ter os livros de Joe Abercrombie como uma das prioridades em sua lista.

 

FICHA TÉCNICA:

 

Título: Meio Rei
Título original: Half a King
Série: Mar Despedaçado #1
Autor: Joe Abercrombie
Editora: Arqueiro
Formato: Brochura
Edição: 1
Ano de copyright: 2014
Ano da edição traduzida: 2016
Número de páginas: 288
Tradução: Alves Calado
ISBN: 978-85-8041-561-2



Raniere Sofia, 33 anos, criador da Encontros Literários, leonino, nascido em Angra dos Reis, morador do Rio de Janeiro, vascaíno, escritor, estudante de Estatística na UERJ, fã de Stephen King, Tolkien, Star Wars, Marvel, C.S. Lewis, Douglas Adams, e Doctor Who (começou a acompanhar a série clássica em 2014). Leitor compulsivo e cinéfilo.