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Mitologia egípcia, o caos e uma salvadora em O Coração da Esfinge

– O amor é fugaz. É uma fagulha breve que explode no céu, derrama-se numa cascata de glória e logo é apagada na escuridão do espaço. Não é uma coisa pela qual valha a pena arriscar o Cosmo.

Depois de vivenciar momentos e aventuras que jamais imaginou na companhia de um dos Filhos do Egito, Lily se encontra sozinha. A missão dos três irmãos foi concluída e agora Amon não pode mais ficar ao seu lado. Um bom tempo se passa, e o pensamento de Lily ainda está no amado. Ela entra pra faculdade, continua a obedecer aos pais sem pestanejar, e decide viajar para a casa da avó, que não via há anos.

Se Lily pensou que seus dias se loucura haviam terminado, ela estava completamente enganada. Numa noite, Anúbis aparece pedindo sua ajuda. Lily precisa salvar Amon, trazê-lo de volta do além, senão o caos reinaria nas mãos de Seth.

Mesmo confusa e tendo consciência de todos os riscos que correria aceitando a proposta, Lily faria absolutamente qualquer coisa para ter Amon de volta. Só que o caminho até o além não é nada fácil. Ela precisará passar por testes que comprovem sua aptidão para aquela tarefa, assim como seu coração e atitudes também serão pesados. Se conseguir, a única forma de Lily entrar no mundo dos mortos é se tornando uma esfinge. Será que as intenções de Lily são puras o suficiente para conseguir ir ao além? Será que os deuses permitirão isso?

Num relacionamento normal eu só precisaria emprestar algum dinheiro ao cara, dar uma carona ou ajudar com o dever de casa quando ele se encrencasse. Com Amon eu precisava voar com deusas, me defender de avanços amorosos de divindades e ser caçada por superferas. Mesmo assim, eu sabia, no fundo do coração, que arriscaria qualquer coisa por ele. A chance de estar de novo com Amon valia cada sacrifício que me pediam.

Colleen Houck é autora da série A Maldição do Tigre. Na época, eu me apaixonei perdidamente pelo primeiro volume. O segundo me deixou intrigada quando Kelsey começou a se envolver romanticamente com o irmão do namorado, e o terceiro me deixou furiosa. Ainda assim, como já estava na dança e não costumo abandonar livros/séries, fui até o fim. Colleen tinha uma premissa maravilhosa em mãos e soube aproveitá-la com maestria no quesito de pano de fundo. O tema e o segredo acerca dos tigres foram construídos de forma genial, uma história cheia de lendas que abraçava fácil o leitor. No entanto, a série peca no triângulo amoroso. Eu, particularmente, não aprovo triângulos amorosos. Isso é uma coisa minha. Outras pessoas podem não se incomodar. Mas tudo bem, até aí eu relevei.

Então soube do lançamento de O Despertar do Príncipe e achei a sinopse o máximo. Adoro mitologia e conhecia pouco da egípcia. Me senti quase lendo algo do tio Rick Riordan em certas partes; a elucidação da mitologia, sua origem, seus acontecimentos. Para os fãs de mitologia, esses são livros prazerosos. Nós somos os alunos cursando mitologia e aprendendo mais a cada página. No caso da Colleen, seus deuses não são cômicos como os do Rick, mas também senti semelhança entre todos, exceto por Maat e Seth. São em sua maioria bondosos e pacíficos.

Não tenho como comentar muito sobre a história para não soltar spoilers, então vou direto ao meu nervoso. Minha gente. Lily conseguiu superar a Kelsey. Tá de parabéns, amiga.

No caminho até Amon, Lily se atrai por quatro caras e beija dois deles. Não to brincando. Existe um motivo para que eles se sintam atraídos por ela, isso é verdade. O escaravelho que ela carrega consigo que faz com que todos os imortais tenham aquela reação. E a Lily deve pensar que ta bombando pra resolver gostar de todo mundo de volta. Sério, ela podia MUITO ter evitado todas essas aproximações. Mas ela simplesmente não quis. Não fez nem um esforcinho. Ela até se pergunta se era errado fazer isso com Amon, mas oras, sentimentos mudam. O cara tava sofrendo, morrendo de exaustão, um cara que até DEU O CORAÇÃO DELE pra ela, mas ah, de boa, tranqüilo e favorável, to podendo mesmo então vou pegar geral.

Chega um momento no livro em que ela nem mesmo lembra da existência do coitado do Amon. Ela só quer aproveitar a pegação e é isso aí. Até porque o Amon é um corno conformado. Ele a ama incondicionalmente e nada vai mudar isso. Então ta, né? Bom pra ela. Liberou geral. Fiquei doída pelo Amon sim.

Talvez eu esteja de picuinha por não suportar triângulos amorosos. Pode ser. Mas a história acabou pra mim da metade pro fim. A Lily pode ser uma personagem corajosa, determinada, em alguns momentos insegura, uma personificação do ser humano, mas essa festa de amores não colou. O primeiro eu até achei legalzinho, afinal era um deslize, seu objetivo ainda era encontrar Amon e seu coração claramente batia por ele. Mas o resto… O resto virou clichê demais a la Colleen. Previsível demais pra quem já leu A Maldição do Tigre. E pior, inclusive! Não bastava dois, ela resolveu colocar quatro. Forçou demais a barra.

É uma pena, porque eu realmente considero a história boa, mas pelo visto os triângulos são uma característica da escrita da autora. Ela gosta disso e deve escrever sobre o que gosta, é claro. Os incomodados que se mudem. Eu ficaria feliz se ela mudasse um pouco, pelo menos uma vez, essa estratégia, mas tudo bem. Um dia alguém me conta com quem ela terminou. Já imagino com quem seja, mas a Lily sempre pode dar uma de Elena Gilbert, né?

Para quem não sente vontade de estapear a personagem e de tacar o livro longe ao se deparar com triângulos amorosos, recomendo bastante. A escrita da Colleen é leve e detalhada, situa o leitor com facilidade, faz com que você se sinta batalhando com as criaturas e vencendo obstáculos. Junto de Lily, sua leoa e seus filhos do Egito, você vai embarcar numa aventura repleta de emoção e desafios.

 

FICHA TÉCNICA:

Título: O Coração da Esfinge
Título original: Recreated
Série: Deuses do Egito – #2
Autora: Colleen Houck
Editora: Arqueiro
Formato: Brochura
Edição: 1
Ano de copyright: 2016
Ano da edição traduzida: 2016
Número de páginas: 368
Tradução: Alves Calado
ISBN: 9788580416060



Carolina Rodrigues, 20 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo ou ouvindo música.


  • Aline Rocha

    Olha, tinha gostado bastante do primeiro livro, mas exatamente por conhecer a fama da autora resolvi esperar sair o segundo para ver se iria colecionar a saga. Muito obrigada pela sua resenha porque ela respondeu exatamente a questão que eu mais temia: triângulo amoroso. Odeio! Sério, eu não suporto, me deixa doente de raiva. Ou seja, vou passar longe dos outros livros da autora. Uma pena, né? Ela escreve tão bem. Muito boa sua análise.

    lequeliterario.wordpress.com

  • Mayara Souza

    Fiquei louca com esse livro pelos mesmos motivos que você e tive uma vontade louca de pular logo para o final.
    Eu não gostei muito do primeiro livro, primeiro que mitologia egípcia não me atrai muito, mas mesmo assim quis ler porque sou apaixonada pela Saga do Tigre e quis dar esse apoio a Collen. Só que o livro não mecheu nem um pouco comigo. Achei Amon “morto”, não achei que ele tem carisma nenhum e não estou falando de beleza ou romance. Minha expectativa era que isso mudasse em O Coração da Esfinge e isso não aconteceu, na verdade nenhuma das minhas expectativas para esse livro foram supridas.
    Esse livro só confirmou o que eu já desconfiava sobre Lily, ela é apenas uma garotinha entediada que só aceita embarcar nessa aventura porque precisa e não porque se importa com os príncipes. Nem de longe ouso dizer que ela é corajosa, pra mim ela não é e é bastante forçada até. Ela não tem conragem de enfrentar os pais, mas tem coragem de “falar grosso” com deuses que podem destrui-la em um estalar de dedos, chega a ser ridículo.
    Sinceramente, não posso compara-la a Kelsey. Embora Lily seja bem mais segura de si, Kelsey embarca na maldição e por diversas vezes se sacrifica, porque seu único objetivo é ajudar os irmãos, já que ela realmente se importa.
    Mesmo assim, estou a espera do terceiro livro. E espero que a Collen saia da sombra dos tigres, muitos elementos da série egípcia ainda são bastante semelhantes A Saga do Tigre, até a narrativa. Vamos mudar o tom Collen!