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O sol também é uma estrela

Nicola também é uma estrela.

Ok, antes de mais nada: Nicola Rainha, por favor, escreva mais duzentos livros, e eu comprarei duzentos livros e torcerei por mais cento e onze além desses!

Pronto, momento fã desesperada de lado, vamos a O Sol Também é Uma Estrela. Sabe aquilo que eu sempre falo sobre não ser muito boa para resenhar livros que eu amei muito? Da vontade que rola de só gritar “AMEI!!” mil vezes e ir embora para reler a belezura “resenhada”? Então, é o caso desse livro.

Há inúmeros motivos para esse ser um dos melhores livros que já li: o modo como é contado (cada capítulo com um ponto de vista de um personagem, ou do narrador, explicando coisas sensacionais sobre física, química, acasos, a história de personagens secundários, enfim), os debates dos dois protagonistas sobre coincidências e destino, os personagens (todos!), o cenário (Nova York é lindona, né?), a capa maravilhosa, com aquele verniz aveludadinho delicioso, tudo, tudo é de primeira.

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Uma coisa muito curiosa é que ultimamente tenho visto muitos debates sobre as histórias em si, mas poucos sobre a forma como tais histórias são contadas. Por exemplo, se a história é epistolar, se alterna passado e futuro, se tem pontos de vista distintos, enfim, qualquer coisa que tenha a ver com a forma da obra. O mais hilário disso tudo é que eu só me peguei pensando nisso nos últimos tempos não por eu ser formada em Letras, por trabalhar com livros, por ser leitora voraz, mas por causa exatamente do livro da Nicola. Olha que curioso: um livro me fez refletir sobre todo um conjunto de estruturas narrativas que eu não visitava há muito tempo!

Explico: o livro, como citei antes, tem vários pontos de vista: a protagonista Natasha, uma adolescente prática e focada, que não acredita em destino ou coisas do tipo, Daniel, o outro protagonista, oposto extremo de Nat, poeta, sonhador, romântico, daqueles que acreditam… bem… no destino. Só que não para aí: há diversos outros pontos de vista, narradores, comentários, tudo muito bem amarrado, de modo que eu li o livro e nem percebi o tempo passar.

Ah, outra coisa curiosa nesse livro: a alternância de vozes. Não temos somente a primeira pessoa, com os pensamentos de Natasha e Daniel, mas também a terceira, com um narrador desconhecido (ou talvez conhecido? Universo, é você? Ou será seu primo Destino? Quem está falando? Onde estou? Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?). Mas não se espante: isso REALMENTE é muito bem tecido, muito mesmo! Uma mescla de prosa com um tipo quase científico de poesia que me fez torcer pelo casal a cada minuto que passava.

Sobre a história, vou mostrar a sinopse:

 

“Poético e envolvente, cheio de esperança, dor… e toda a vibração universal do coração humano.” – Booklist

“Emocionante e surpreendente.” – Publisher’s Weekly

 

Natasha: Sou uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Não acredito na sorte. Nem no destino. Muito menos em sonhos que nunca se tornarão realidade. Não sou o tipo de garota que se apaixona perdidamente por um garoto bonito que encontra numa rua movimentada de Nova York. Não quando minha família está a 12 horas de ser deportada para a Jamaica. Apaixonar-me por ele não pode ser a minha história.

Daniel: Sou um bom filho e um bom aluno. Sempre estive à altura das grandes expectativas dos meus pais. Nunca me permiti ser o poeta. Nem o sonhador. Mas, quando a vi, esqueci de tudo isso. Há alguma coisa em Natasha que me faz pensar que o destino tem algo extraordinário reservado para nós dois.

O Universo: Cada momento de nossas vidas nos trouxe a este instante único. Há um milhão de futuros diante de nós. Qual deles se tornará realidade?

 

Em suma, Natasha não tem lá muitos motivos para acreditar em destino. Não quando tudo dá errado por motivos bem claros: pessoas fazendo besteira. Já Daniel, mesmo não tendo uma vida perfeita, ainda tem esperanças românticas sobre como tudo acontece por um motivo. E ele as narra, mostrando para Natasha, a linda adolescente que, por diversas razões, acaba prestando atenção nele, que não existem acasos.

Obviamente, ela não acredita.

Ou acredita?

Será que há ciência no destino e redes de razões premeditadas na ciência?

No meio dessas discussões e debates, o dia vai se passando, e os dois vão se encontrando, reencontrando, conversando, fazendo desafios e promessas história de amor dos dois é uma coisa fofa de meu Deus do céu. Não é melosa nem absurda. Pra mim, é na medida certa.

E o final? Ah, o final. Quando todas as linhas da rede se mostram conectadas ao seu modo, que não é um modo óbvio, mas um modo lindo. Que livro, gente, que livro.

O Sol Também é Uma Estrela foi um dos melhores livros desse ano, sem sombra de dúvidas, e eu espero do fundo do coração que Nicola lance mais uns 111 livros.

Até o fim do ano, quero dizer.

Amém.

O Sol também é uma estrela travesseiro

 

Informações técnicas:

Título: O Sol Também é Uma Estrela

Autora: Nicola Yoon

Título original: The Sun Is Also a Star

Tradução: Alves Calado

Número de Páginas: 288

Acabamento: Brochura

ISBN: 9788580416596



Revisora, autora, embaixadora do Wattpad, professora de português, Kindle-lover, apaixonada por livros indies, autores nacionais, Kimbra, 30STM, Brandon Jay McLaren e RuPaul's Drag Race. Escrevia sob o pseudônimo de Sissy Walker, mas decidiu sair do armário e assumir a autoria de seu primeiro romance, "Lena - Abrindo as Asas".