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Fascistas, judeus, ricos e pobre confinados em um avião por horas em Noite Sobre as Águas

Há algum tempo que cheguei à seguinte conclusão: se o livro foi escrito por Ken Follett, posso comprá-lo (ou pedir para editora me enviar, como é o meu caso) tranquilamente, pois tenho certeza que o livro será bom. Noite Sobre as Águas (1991) foi o oitavo livro do Follett que eu li, e também foi o livro que, de certa forma, foi diferente de todos os sete que li.

 

Noite Sobre as Águas é ambientado, principalmente, dentro de um voo intercontinental saindo de Southampton (Reino Unido) até Port Washington (Nova York) em setembro de 1939, poucos dias após o Reino Unido declarar guerra à Alemanha. Quase todo passageiro do Boeing 314 tem uma trama pessoal em torno de si: um aristocrata inglês simpatizante do nazismo que se vê obrigado a abandonar o país com sua família (uma esposa submissa, um filho adolescente e uma filha socialista) para não ser preso; uma princesa esnobe; um vigarista usando identidade falsa, mudando de país para fugir da polícia e realizar o sonho de fazer parte da nobreza e ser piloto da aeronáutica; um empresário tentando vender sua empresa, junto com a parte que pertence à sua irmã, pelas costas dela; uma mulher fugindo com o amante; um intelectual judeu fugindo dos nazistas. Além de todos os personagens citados (existem outros passageiros no avião, os quais suas histórias são um mistério para o leitor), temos Eddie Deakin, o engenheiro de voo que, minutos antes da decolagem é avisado que receberá instruções de algum passageiro do Clipper e deverá segui-las, caso contrário sua esposa será assassinada.

 

Não falei os nomes dos personagens (com exceção de Eddie) de propósito. Suas tramas pessoais vão se desenrolando aos poucos, e se eu falasse mais do que já foi dito correria o risco de soltar um spoiler. Vocês não querem isso!

 

O voo relatado no livro é fictício, assim como todos os seus personagens (ao contrário dos outros livros do Follett, onde personagens fictícios interagem com personagens históricos), porém o avião é real. O Boeing 314 foi o maior modelo de Clipper (hidroaviões de casco) já construído. Os clippers eram utilizados pela Pan American Airways para fazer serviços aéreos internacionais (estes que foram iniciados em 1930). Em 1939 a Pan American iniciou o serviço de transporte de passageiros entre os Estados Unidos e a Europa, porém estes vôos foram interrompidos algumas semanas depois, quando Hitler invadiu a Polônia.

 

Foram fabricados apenas 12 Boeings 314 e, após a interrupção do serviço de passageiros, os clippers foram usados para o transporte de governantes através do Atlântico. O presidente Roosevelt foi um dos que voaram pelo Clipper. Churchill também utilizou os serviços. Quando pistas de concreto foram construídas, os hidroaviões perderam sua utilidade, e todas as unidades viraram sucata ou foram destruídas, não existindo mais nenhum exemplar no mundo destas aeronaves.

 

Ken Follett sempre traz informações e reflexões sobre as guerras na História. Noite Sobre as Águas, apesar de ter como única coisa não-fictícia o Boeing 314 e não ter nenhum personagem histórico aparecendo, não escapa a essa regra. Seus personagens são fortes e humanos, com suas tramas pessoais tão bem construídas e envolventes quanto a trama principal do livro. O fascismo também é bem demonstrado, assim como o fato de que os facistas tiveram que fugir da Inglaterra quando a guerra foi declarada pelo país, sob o risco de serem presos.

 

Ken Follett é leitura obrigatória para quem gosta de suspense e guerras históricas (em especial as grandes guerras). Noite Sobre as Águas deve estar no topo da sua lista de leitura.

FICHA TÉCNICA:

Título: Noite Sobre as Águas
Título original: Night Over Water
Autor: Ken Follett
Editora: Arqueiro
Formato: Brochura
Ano de copyright: 1991
Ano da edição traduzida: 2016
Número de páginas: 432
Tradução: Pinheiro de Lemos
ISBN: 978-85-8041-563-6



Raniere Sofia, 33 anos, criador da Encontros Literários, leonino, nascido em Angra dos Reis, morador do Rio de Janeiro, vascaíno, escritor, estudante de Estatística na UERJ, fã de Stephen King, Tolkien, Star Wars, Marvel, C.S. Lewis, Douglas Adams, e Doctor Who (começou a acompanhar a série clássica em 2014). Leitor compulsivo e cinéfilo.