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O horror à espera de uma nova visita

Eliza Caine tem 21 anos quando perde o pai para uma gripe forte. Desamparada, sem mais familiares por perto e muito menos dinheiro para pagar aluguel, ela encontra um anúncio pedindo urgentemente por uma governanta para cuidar de crianças em Norfolk, sem relatar quantas crianças são, quantos anos tem, qual seria o salário. Mesmo assim, Eliza se interessa e responde ao anúncio, esperando ser chamada para uma entrevista, mas a contratam de imediato.

Estranhando, Eliza faz as malas e parte de Londres. Ao chegar à mansão Gaudlin Hall, ela é recebida por duas crianças: Isabella, uma menina inteligente, esperta e até mesmo mandona, e Eustace, um garoto tímido e simpático. Eliza fica surpresa pela ausência de adultos na casa, e insiste em saber onde estão os pais das crianças. Eles não respondem. E o mistério prossegue consistente durante páginas do livro, algo que Eliza não vai deixar quieto. Ela vai atrás do advogado da família, o responsável pelo seu salário, e faz inquisições a respeito da casa.

Onde estavam os pais? Quem fazia a limpeza e cozinhava? Porque todos da cidade torciam o olhar ao descobrirem onde ela trabalhava? Porque recusavam, assustados, o convite de ir à casa? O que, afinal, acontecera com as governantas anteriores?

E não para por aí. Desde que chegou à cidade, Eliza passa por situações peculiares. Portas fecham, mãos invisíveis agarram seus pés, a água sempre tão gelada de repente queima seus braços, sente como se quisessem empurrá-la, jogá-la da janela. As tentativas foram várias, e Eliza sempre suspeitou de ser provocado por cansaço, mas após tirar respostas do advogado, ela cai na realidade. Aquilo não era produto de sua imaginação. A casa era assombrada de verdade e, seja quem fosse a presença fantasmagórica, estava atrás dela. As crianças pareciam protegidas, intocáveis. O alvo de toda a tortura era Eliza.

Fechei os olhos e suspirei, esticando meu corpo, minhas pernas descendo e descendo por baixo das cobertas; esperei o momento em que meus dedos dos pés encostariam na  armação de madeira da cama, mas eles não encostaram, e sorri ao perceber que a cama era mais comprida do que eu; poderia me esticar o quanto quisesse, e foi o que fiz, satisfeita ao sentir meus membros doloridos relaxarem conforme chegavam o mais longe que conseguiam, os dedos dos pés dançando sob os lençóis, uma sensação de alivio muito prazeroso, ate que duas mãos agarraram meus tornozelos com força, os dedos apertando meus ossos com agressividade conforme me puxaram para baixo na cama e eu perdi o ar, arrastando-me para cima o mais rápido que pude.

A solução era fácil: fugir. Mas e as crianças? Ela se apegara tanto a elas, por mais que o comportamento delas fosse incomum, que jamais as abandonaria. Ela teria de ser forte e lutar.

Sem brincadeira, esse foi o melhor livro de terror que já li. Tem a pegada exata que bota horror ao leitor, do jeito que sempre quis ler e nunca havia encontrado até então. A história em si é previsível, sim, é uma leitura inclusive rápida, mas esse é o ponto admirável, não se prolonga ou estende só para promover um terror arrastado, ele é realizado na medida certa e suficiente para dar susto.

A maioria das pessoas dizem ter medo de livro de terror, e eu nunca entendi o motivo. Não é a mesma coisa de assistir um filme, que contém os sustos e barulhos que fazem tremer na base. Por mais que você imagine as cenas nos livros, não tem o mesmo impacto. Mas com A Casa Assombrada, sim, posso dizer que vocês enfartariam. Eu li o trecho que citei adivinhem em que momento, em taantos na vida. Justamente quando estava deitada na cama, com as luzes todas apagadas. Morri ali mesmo, s ou claro? Hahahah muita sacanagem.

Enfim, é um livro que recomendo a todos os fãs de terror. Uma história simples, composta dos elementos perfeitos para promover aquele calafrio.

 

FICHA TÉCNICA:

Título: A Casa Assombrada
Título Original: This House is Haunted
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2015
Páginas: 296
Tradução: Henrique de Breia e Szolnoky
ISBN: 9788535925265



Carolina Rodrigues, 20 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo ou ouvindo música.