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Enredo excelente com um desenvolvimento não tão bom assim

Em “O Pergaminho Sagrado”, três arqueólogos, após escavarem a tumba do Dodge Dandolo, são seqüestrados, e os agentes Jack Marlow e Laura Graves são convocados para resolver este mistério. Como ambos não sabem nada sobre o trabalho que as vítimas estavam realizando, eles precisam investigar a fundo a história do dodge que, com a ajuda do Pergaminho (uma tabuleta), comandou a Quarta Cruzada dos Templários e esmagou Constantinopla.

Eu torci o nariz para o livro logo no começo, quando Anton Gill resolve recorrer a clichês e coloca explicitamente o protagonista Marlow como o melhor agente que existe, ao qual as mulheres nunca resistem aos seus encantos, e colocar Graves, de início, já pensando (e aqui uso um pouco de exagero para explicar a minha visão): “Nossa, que cara sedutor! Nossa, e agora? Não vou conseguir resistir ao charme deste garanhão!”. Ao ler isto, eu já antipatizei com o livro de cara e quase o abandonei.
Porém, lá pela metade do livro, a história melhora (mas nem tanto).

Enredo excelente com desenvolvimento não tão bom

Enredo excelente com desenvolvimento não tão bom

A história fica alternando entre presente e passado, o que eu achei bem interessante. Ora o livro narra a investigação de Marlos e Graves, ora narra a história do dodge Dandolo (que, sinceramente, achei a melhor parte do livro), ora narra o trajeto que a tabuleta percorreu, até o tempo atual.
A propósito, tenho que dar um crédito à Anton Gill: ele descreve as cenas de tortura (pena que são poucas) de uma forma tão boa que eu senti dor pelos personagens torturados. Ponto para o autor!

Porém, infelizmente, um enredo que poderia ter dado um livro excelente acabou virando uma história cansativa, previsível, que, no final, o autor tenta alguns recursos para surpreender o autor (e eu reconheço o esforço dele), mas que não são eficientes, resultando em um final muito meia-boca. Dou destaque a uma cena no qual um personagem atira no outro, que está dirigindo um carro em cima de um gramado, e misteriosamente surge fogo embaixo do veículo. Juro, eu até agora não entendi como aquele incêndio começou. Talvez tenham sido gnomos serelepes.
Resumindo meu pensamento: “O Pergaminho Sagrado” tem um enredo muito bom, mas o livro é fraco, e Anton Gill é um autor que ainda precisa amadurecer bastante o seu ofício.

Título: O Pergaminho Sagrado
Título original: The Sacred Scroll
Autor: Anton Gill
Editora: Editora Record
Tipo: Brochura
Edição:
Ano: 2014
Número de páginas: 504
Tradução: Rodrigo Abreu
ISBN: 978-85-01-40155-7



Raniere Sofia, 33 anos, criador da Encontros Literários, leonino, nascido em Angra dos Reis, morador do Rio de Janeiro, vascaíno, escritor, estudante de Estatística na UERJ, fã de Stephen King, Tolkien, Star Wars, Marvel, C.S. Lewis, Douglas Adams, e Doctor Who (começou a acompanhar a série clássica em 2014). Leitor compulsivo e cinéfilo.