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“O Príncipe Encantado” de Oscar Wilde

A obra wildiana é o retrato da decadência moral e do humor ácido e inteligente que é inerente à Oscar Wilde. Nessa obra, o autor discorre sobre a natureza humana. Principalmente, o quão egoísta e superficial pode se tornar um homem. Oscar Wilde consegue de forma simples e sutil, pintar o retrato de sua própria época, ao protagonizar a juventude hedonista e decadente de seu tempo. O livro é uma crítica ácida ao estilo de vida levada pela cultura vitoriana, mas ainda hoje a obra segue atualíssima.

Dorian Gray era um jovem meigo e cativante e logo arrebatou o coração artístico e sonhador do pintor Basil Hallward, que resolveu tomar Dorian como seu modelo ideal. No entanto, tão logo Lorde Henry – um aristocrata hedonista e pueril – amigo de Basil Hallward, tomou conhecimento da existência desse ser tão intrigante que era Dorian Gray, resolveu tomar o pobre jovem como seu “pupilo”. Lorde Henry, então ensinou a Dorian a “arte do hedonismo” e lhe mostrou o quão efêmero e “importante” era a beleza e o prazer. Lorde Henry corrompeu o jovem e é a partir daí que vemos Dorian cair cada vez mais em corrupção, até chegar o fundo do poço.

No início, temos um Dorian Gray jovem, gentil e radiante. No decorrer das páginas, temos um Dorian Gray frio e insensível, incapaz de um ato de bondade sequer; vil e sem escrúpulos.

A forma com que Oscar Wilde escreve chega a ser assustadora, uma vez que envolve o leitor de forma tão sutil e inteligente, que quando nos damos conta, Dorian Gray já se transformou no monstro que ele fora predestinado a ser. O romance é deveras filosófico, poético e instiga o leitor a pensar e refletir o tempo inteiro.

O livro é permeado de frases de efeito e de lições de moral (e até imorais), principalmente nas primeiríssimas páginas e já lá para o final, também. O texto flui muito bem, de fácil leitura, mesmo sendo um texto datado de 1890, sua linguagem continua muito acessível e de fácil compreensão. Os personagens são interessantes e muitos deles levam um quê do próprio Oscar Wilde, como o próprio Dorian, Basil Hallward e o inescrupuloso Lorde Henry, que é ao lado do protagonista o personagem mais sólido e bem construído.

Considerações finais…

O Retrato de Dorian Gray é o tipo de livro que me fascina. É sujo, cru e chocante. Oscar Wilde cumpre seus desígnios literários nessa obra e nos mostra por que esse livro é um clássico da literatura. Wilde não mede palavras ao narrar a corrupção humana de forma tão realista e ao mesmo tempo tão fantástica. O romance, baseado no mito faustiano, é a versão wildiana da perda da alma em troca dos prazeres mundanos. Qualquer um que o ler repensará muitos de seus valores e atitudes. Um livro incrível, para pessoas incríveis. Recomendo fortemente.

Ficha Técnica:

Título: O Retrato de Dorian Gray
Título Original: The Picture of Dorian Gray
Autor: Oscar Wilde
Tradutor: Lígia Junqueira
Edição:

Editora:
Civilização Brasileira
ISBN: 9788520004784
Ano: 2007
Páginas: 251



Graduando em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC); Fã de Stephen King e Oscar Wilde, mantenho ainda vivo o sonho de escrever profissionalmente; Amante de cinema, séries, quadrinhos e músicas. Descobri na arte uma forma de suportar a vida.