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Por que eu abandonei o livro A Pedra Proibida?

O nome da série escrita por Tony Abbott, O Legado de Copérnico, e a beleza da capa da edição da Galera Record me atraíram logo de cara. A sinopse, que fala sobre quatro jovens (dois meninos e duas meninas) caçando pelo mundo as relíquias que revelam o Legado de Copérnico, através de pistas dadas por enigmas e códigos secretos, fez minha vontade de ler esta história aumentar muito. Para completar, Angie Sage, autora da série Septimus Heap, disse que “(…) este livro é como um thriller do Dan Brown (autor de O Código Da Vinci e Inferno) para leitores mais jovens”. Um livro para jovens com a profundidade de Dan Brown? É lógico que eu quis ler! Todos esses fatores me fizeram criar uma expectativa grande em cima deste livro e, fatalmente, minha decepção foi grande.

 

Vou explicar para vocês:

 

Eu amo livros juvenis! Normalmente são histórias leves, divertidas, simples e repletas de aventuras. Porém, mesmo em histórias simples, se os personagens não forem bem construídos e se não tiver uma lógica na ação destes, não dá pra engolir. A Pedra Proibida, primeiro livro da série O Legado de Copérnico, começou muito bem! Vilões misteriosos, um assassinato, personagens que pareceram, de início, serem divertidos e um enigma bem montado. No meu primeiro dia de leitura eu saí bem satisfeito. Porém, comecei a torcer o nariz a partir do segundo dia e a leitura começou a ficar cansativa. O fato de um homem adulto descobrir que um antigo professor morreu em outro continente e ele (responsável por seu filho, seu enteado, uma prima dos meninos e uma amiga dela) resolver ir ao enterro levando as crianças…  Eu até deixei passar. As crianças agindo como os adultos da relação e o adulto, que deveria ser o responsável por elas, agir como a criança? Também deixei. Estava querendo extrair o máximo de divertimento do livro. É o que faço, e por isso é tão difícil eu não gostar de alguma leitura ou abandoná-la.

kkkkkk editado

Então as coisas começaram a ficar mais bizarras, começando pelas onomatopéias desnecessárias. O táxi chega na casa onde estão nossos cinco personagens e o autor precisa escrever um “bibi” pra mostrar que o carro buzinou. Em outra parte, uma personagem secundária sobe uma escada e, ao invés do autor dizer que “passos foram ouvidos”, ele tem que descrever o som que eles fazem e, após a personagem conversar com os quatro protagonistas (o adulto ficando perdido na conversa e as crianças tomando iniciativa) e sair de cena, o autor faz o mesmo. O mais intragável foi, durante a conversa desta personagem com as crianças, eu ler um “kkkkkk” representando uma risada. Torci tanto o nariz para isto que ele virou do avesso!

bibi editado

Aqui eu vou dar um leve spoiler (sem importância), para explicar outra indignação que tive. O encontro relatado no parágrafo anterior (a personagem secundária com as crianças e o adulto) termina, porém aparecem perseguidores misteriosos, e a vida dos protagonistas está em risco. A personagem secundária os ajuda a fugir, mas mesmo assim os vilões correm atrás das crianças e do adulto. É sabido que os perseguidores estão caçando o grupo de alunos do professor assassinado. Agora faço uma pergunta para vocês: para onde vocês acham que o adulto levou as quatro crianças:

a) Para a delegacia de polícia, relatar o que acabaram de descobrir e para se protegerem de seus perseguidores.

b) Para o aeroporto, no intuito de comprar a primeira passagem para casa.

c) Para a lanchonete onde o grupo de alunos (que está sendo assassinado um por um) se encontrava, sentando numa mesa bem em frente a uma janela enorme, dando para a rua.

 

Se você respondeu a letra C, acertou. E foi a partir deste momento que comecei a considerar abandonar essa leitura. Tudo isso foi somado com vilões fazendo pirraça, personagens que começaram bons e ficaram muito ruins e um enredo que ficou muito, muito forçado. Eu ainda tive esperanças de ver a história ficar boa novamente (sou uma pessoa otimista), mas não. Foi daí pra pior!

 

Fiquei realmente triste ao me decepcionar com A Pedra Proibida. Eu esperava, no mínimo, uma história tão boa quanto Peter Jackson e os Olimpianos, Harry Potter ou O Mágico Desinventor. Fiquei uns dias paquerando este livro, antes de pegá-lo e iniciar a leitura. Porém, os fatos relatados acima foram um balde de água fria nas minhas expectativas.

Ficha técnica:

Título: A Pedra Proibida
Título original: The Forbidden Stone
Série: O Legado de Copérnico #1
Autor: Tony Abbott
Editora: Galera Record
Formato: Brochura
Edição: 1
Ano de copyright: 2014
Ano da edição traduzida: 2016
Número de páginas: 322
Tradução: Ana Carolina Oliveira
ISBN: 978-85-01-10741-1



Raniere Sofia, 33 anos, criador da Encontros Literários, leonino, nascido em Angra dos Reis, morador do Rio de Janeiro, vascaíno, escritor, estudante de Estatística na UERJ, fã de Stephen King, Tolkien, Star Wars, Marvel, C.S. Lewis, Douglas Adams, e Doctor Who (começou a acompanhar a série clássica em 2014). Leitor compulsivo e cinéfilo.